1900 entre Três Outonos no Hemisfério Norte

Numa tela, a semente de um encontro.

Floresceu na estação mais gentil de 23.

A distância, vasta, em quilômetros real,

a medir o talvez.

Mas entre o que fazes e o labor diário teu,

Chega a ternura em traços de afável pergunta,

Um "como estás" que a paz de repente me rouba,

E o compasso do peito apressado se ajunta.

Apesar do areal que a tela não desfaz,

Há em ti um porto que a alma anseia visitar.

O signo d'água e o fogo que em mim arde em paz,

Numa força singela que insiste em sonhar.

f

Não revelo a força que em ti vejo nascer,

Guardo a chama acesa, discreta e profunda.

Mas o eco da ponte que insisto em erguer,

Espera o dia em que o irreal se confunda.

E que o longe se dobre ao toque da presença,

Onde a espera de outrora não mais se fará.

Pois o que o coração sente, sem clara sentença,

Já sabe o caminho que um dia encontrará.

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